meu amor! tô em caruaru! esqueci meu celular em recife e não consigo entrar no msn aqui em casa... tô com um celular da tim, aquele meu infinity, mas tô sem crédito... se puder, me liga. nos vemos amanhã? que tal almoçarmos juntos? hum? hum? =P um chêro de saudade.
30/03/2010
31 de mar. de 2010
chegadas
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17 de set. de 2009
14 de jul. de 2009
8 de jul. de 2009
rotinas.
Caruaru, 08 de Julho de 2009.
Tio,
Não levanto às pressas e nem deixo o lençol no chão do quarto. Não mais. Agora a vida começa impreterivelmente lá pelas 6hs da manha mesmo! Nem mais e nem menos 5 minutinhos. Claro que ter que fazer a barba antes de ir ao trabalho me consome no mínimo 15 minutos, que era exatamente os 3 alarmes dispersos que usava antes que a preguiça fosse finalmente superada. O tempo mudou, diminuiu. Ficou um tom mais sério na expressão do meu rosto, dizem. Há quem ache que eu ando mais calado que o de costume, exceto quando aqueles goles de cerveja desprendem risadas e conversas inúteis. Ou eu mudei o tempo ou o tempo me mudou, ou, ou, ou...
Agora eu entro no carro, e corro como na musica do Rei que fala da “Estrada de Santos”. Horários a serem cumpridos, os minutos que não existem mais, passam lentamente enquanto o sinal não fica verde e posso finalmente avançar. Deixo a minha casa, e algumas coisas que eu amo, meus irmãos, a velha, os livros do meu quarto comprados e alguns nunca lidos, e o cachorrinho – que este eu sei que espera ansioso pela minha volta e me recepciona com patas sujas – como nas propagandas de margarina dos anos 80. Era bem diferente há algum tempo atrás. Papai batia na porta do meu quarto, berrando, já que meus ouvidos já tinham se habituado ao toque do despertador, colocava meu par de tênis, escovava os dentes e mais nada. O boné caia bem. Era vida de estagiário, de ‘filho de papai’. O salário era convertido em viagens, e uma pequena parcela, pode-se dizer que me aproximava da minha família quando gastava com ligações telefônicas durantes as festas e as viagens infindáveis. Era sempre um teatro, um show, um cinema. Tinha também às noites com violão, os acampamentos, a praia, o mar. As noites de vodkas e cervejas, as reflexões mais belas sobre a vida e seus desdobramentos fluíam com o álcool. O tempo quando encurta, me parece retrair aos meus primórdios, onde ficar em casa era quase que impositivo. Menino de 13 anos não sai sozinho, não tem a chave da casa. Meu tempo curto me devolveu a ânsia pela família, minhas viagens não são mais pensadas sem a companhia dela, e nem meu salário em viagens de final de semana. Agora o troféu dessa rotina diária é a conversa nas refeições, os silencio entre uma garfada e outra. O riso no rosto de minhas irmãs, ou a vaidade da minha mãe quando sai pro salão de beleza. Eu realmente só sei que isso é que me dá prazer: a solidariedade na saudade. E em cada minuto encurtado, cada dia alcançado diminui a distancia entre alguma coisa que eu ainda não sei o que é. Não me interesso saber também. Talvez porque no fundo o que todo ser humano precisa é de uma rotina que te leva a realizar algum desejo que apenas se aponta no momento final. E vou seguindo ‘dia-após-dia’, sem grandes metas e sem grandes sonhos, até que essa vida mostre alguma coisa, se é que existe, mais instigante que amar o que já se tem, e o que não existe mais.
Um abraço,
Danilo.
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13 de abr. de 2009
Enganar os outros é a nossa Arte: A Geração que Falhou.
Carta de Fernanda Montenegro à Clarice Lispector em 1973.
Esta Carta foi escrita em meio a Ditadura Militar, onde a atriz manifestava sua impotência, lamentando a repressão sentida pelo povo sob à censura e a falta de liberdade de expressão. Essa fase promoveu no Brasil a evolução da qualidade dos artistas nacionais, em todos os âmbitos, pois passou a exigir muito mais personalidade e criatividade para driblar a ditadura e assim poder criticar a política que se instaurou, na esperança de se mudar um país. A “barata” citada na carta é uma simbologia contemplada no livro de Clarice “A Paixão Segundo G.H.”
Clarice,
É sempre com emoção que lhe escrevo pois tudo o que você propõe tem sempre essa explosão dolorosa(...). Ao ler meu nome escrito por você, recebi um choque não por vaidade mas por comunhão. Ando muito deprimida, o que não é comum. Atualmente
E o nosso mundo, Clarice?
Não este, pelas circunstâncias obrigatoriamente políticas, polêmicas, contundentes. Mas aquele mundo que nos fala Tchecov: onde repousaremos, onde nos descontrairemos? Ai, Clarice, a nossa geração não a verá. Quando eu tinha quinze anos pensava alucinadamente que minha geração desfaria o nó. Nossa geração falhou, numa melancolia de 'canção sem palavra', tão comum no século XIX. O amor no século XXI é a justiça social. E Cristo que nos entenda.
Estamos aprendendo a lição seguinte: amor é ter. Na miséria não está a salvação.
Quem não tem, não dá. Quem tem fome não tem dignidade (Brecht). Clarice, estou pedindo desculpas por esse palavratório todo. Mas deixe que eu mantenha com você esta sintonia dolorosa dos que percebem alguns mundos, não apenas este ou aquele, porém até mesmo aquele outro, embora não linearmente - como é o caso.
Nossa geração sofre da frustração do repouso. É isso, Clarice? A luta que fizermos, não faremos por nós. E temos uma pena enorme de nós por isso. É assim que explico pra mim frases que você põe no seu artigo: 'Eu que dei pra mentir. E com isso estou dizendo uma verdade. Mas mentir já não era sem tempo. Engano a quem devo enganar, e, como sei que estou enganando, digo por dentro verdades duras.' A luta, a que me refiro lá no alto, seria aquela luta bíblica, a grande luta, a que engloba tudo.
Voltando às 'verdades duras' de que você fala: na minha profissão o enganar é a minha verdade. É isso mesmo, Clarice, como profissão. Mas na minha intimidade toda particular, sinto, sem enganos, que nossa geração está começando a comungar com a barata. Nós sabemos o que significa esta comunhão, Clarice. Juro que não vou afastá-la de mim, a barata. Eu o farei. Preciso já organicamente fazê-lo. Dê-me a calma e a luz de um momento de repouso interior, só um momento.
Com intensa comoção,
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